Páginas

segunda-feira, 25 de março de 2024

Feudalismo

 

O feudalismo foi um sistema político, econômico e social que existiu na Europa Ocidental durante o período medieval. Seu auge aconteceu entre os séculos XI e XIII.

 "O feudalismo foi um sistema político, econômico e social típico da Europa Ocidental durante a Idade Média, principalmente na Baixa Idade Média. Seu auge aconteceu durante os séculos XI e XIII, entrando em crise a partir de então. O feudalismo teve seu processo de formação iniciado com a desagregação do Império Romano, no século V.

 

Esse sistema foi marcado por uma sociedade estamental que se organizava com base em três classes sociais: o clero, a nobreza e os servos. A economia girava em torno do feudo e da exploração da terra, mas um crescimento comercial significativo aconteceu a partir do século XI, permitindo o surgimento da burguesia e o crescimento urbano."

 

Após a desagregação do Império Romano, a Europa Ocidental ruralizou-se, e esse é um dado comprovado pelos historiadores. Isso foi uma consequência direta da devastação causada pela crise romana e pelas invasões germânicas. Os povos invasores tinham como grande alvo as cidades romanas, pela quantidade de bens que poderiam ser saqueados.

Além disso, com a crise econômica romana e a devastação causada pelos germânicos, a produção agrícola do império caiu drasticamente e o comércio enfraqueceu-se. Com a produção e o comércio em queda, as grandes cidades ficaram desabastecidas. Num cenário de morte e fome, as cidades logo se tornaram locais de proliferação de doenças.

Esse cenário forçou milhares de pessoas a buscarem refúgio no campo, longe das cidades. Elas passaram a abrigar-se em pequenas vilas ou ao redor de grandes propriedades de terra para obter alguma proteção em comida. Os donos das grandes propriedades converteram-se em chefes militares, para garantir a segurança de seus bens, e passaram a explorar aqueles que procuravam trabalho em suas terras. Desenvolveu-se nesse processo a servidão medieval.

 Redução populacional

 A Alta Idade Média ficou marcada pela redução populacional. Os fatores diretos dessa redução foram as guerras, a fome e as doenças que foram trazidas durante as invasões germânicas. Hilário Franco Júnior aponta que, no ano 200, a população na Europa Ocidental era de 24,1 milhões de pessoas, enquanto que, no ano 600, era de 16,3 milhões|1|. Só a partir do século VIII a população europeia começou a recuperar-se.

 Trabalho e sociedade

 Como mencionado, durante a Alta Idade Média, consolidou-se a servidão. O camponês ficava preso à terra em que ele estava durante toda a sua vida. Essa terra não pertencia a ele, mas a um nobre que lhe fornecia o direito de instalar-se nela e tirar a sua subsistência do cultivo. O camponês deveria pagar vários tributos pelo direito de cultivar a terra e por utilizar as instalações do seu senhor.

Esse processo de consolidação do trabalho servil aliado à ruralização e ao progressivo isolamento dessas propriedades fez com que o feudalismo fosse estruturado. No entanto, a formatação clássica do feudalismo só entrou em vigor a partir do século XI, portanto, na Baixa Idade Média.

 O trabalho dos camponeses era marcado pela baixa produtividade, pois era manual e as técnicas de produção eram arcaicas. Isso afetava diretamente a vida do camponês, uma vez que grande parte da sua pequena produção era revertida em imposto para os donos das terras. Esse quadro reforçava a penúria dos trabalhadores na Alta Idade Média.

Só para termos uma ideia dessa baixa produtividade, vale considerar uma estatística trazida pelo historiador Robert Darnton. Ele aponta que, na França, durante a Idade Moderna (séculos XV ao XVIII), cada semente fornecia cinco grãos de trigo, um retorno muito baixo. Podemos considerar que na Alta Idade Média (séculos antes da Idade Moderna) a produtividade era igual ou até mesmo menor que isso. Para fins de comparação, Darnton aponta que, no século XX, cada semente fornecia até trinta grãos, uma diferença abissal|2|.

Nesse período começou a estabelecer-se uma sociedade estamental, isto é, dividida em classes e com pouca mobilidade social. Os grupos eram a nobreza, a elite detentora do poder político, militar e econômico; o clero, formado por representantes da Igreja Católica, também detentor de poder político e econômico; e os camponeses, grupo mais explorado que tirava seu sustento por meio de seu trabalho e era obrigado a pagar pesados impostos aos outros dois grupos.

 Economia

 A economia, como já podemos perceber, era dependente do trabalho agrícola, do qual quase toda a riqueza no período era produzida, por meio do trabalho dos camponeses. A produção artesanal era baixa, e isso era fruto da redução populacional, pois não havia mão de obra qualificada para a atividade, além de haver pouca matéria-prima disponível e poucos consumidores.

O artesanato começou a ganhar força, a partir do século VIII, à medida que a população europeia crescia. No caso do comércio, é importante esclarecer que o comércio mediterrâneo, por influência dos bizantinos, continuou existindo. No entanto, na Europa Ocidental, essa atividade enfraqueceu-se por conta da organização econômica baseada em um relativo isolamento.

Não era frequente que existissem excedentes que fossem comercializados, mas quando eles existiam eram comercializados com feudos vizinhos ou eram levados para pequenas feiras que se desenvolviam.

A pouca presença dessa atividade na Europa Central, durante a Alta Idade Média, contribuiu para que circulação da moeda começasse a diminuir. Isso porque o comércio que ainda existia nesse período baseava-se na troca de mercadorias.

Política

Politicamente, a influência da cultura germânica foi muito presente, a começar pela forma como essa população organizava-se. Tratava-se de reinos, liderados por um rei que, geralmente, era o chefe militar.

Essa estrutura de poder era típica dos povos germânicos, e o historiador Jacques Le Goff afirma que ela era detestada pelos romanos. Le Goff também sugere que as leis que surgiram na Europa após o fim do Império Romano eram baseadas em códigos da tradição germânica|4|.

Na Alta Idade Média, estabeleceu-se uma aliança entre o poder secular e o poder eclesiástico. A Igreja Católica consolidou-se como instituição religiosa, e, aos poucos, seu poder econômico permitiu-lhe interferir no poder secular. Assim, muitos dos reinos germânicos que surgiram — o caso mais simbólico é o dos francos — procuraram respaldo e legitimidade para seu poder na Igreja Católica.

Por fim, vale destacar que, na Alta Idade Média, estabeleceu-se uma relação de poder que foi uma das grandes marcas da Idade Média: a vassalagem. Isso aconteceu porque, na Alta Idade Média, o rei era uma figura frágil e que só garantia sua posição de poder com o apoio de outros nobres/chefes militares.

Para isso surgiu essa relação de fidelidade entre rei e nobre, na qual o rei (suserano) demandava a fidelidade de seu nobre (vassalo). Em troca, o suserano fornecia uma terra e os direitos e privilégios de exploração a seu vassalo, que, por sua vez, devia auxiliá-lo na governança e fornecer suas tropas quando necessário.

 

Características da economia feudal

 

A economia feudal esteve dedicada ao consumo local e não às trocas comerciais.

Ela era baseada numa economia agrária e autossuficiente, ou seja, produziam tudo o que necessitavam.

Nesse caso, as trocas de mercadorias (ou escambo) eram realizadas mediante produtos cultivados nos feudos.

A agricultura era a principal atividade desenvolvida no feudalismo, ainda que o artesanato fosse marcante. O artesanato servia para a produção de ferramentas e matérias de uso doméstico.

O sistema social desse período esteve marcado por uma sociedade estamental (dividida em estamentos) que possuía pouquíssima mobilidade social.

Se um indivíduo nasceu servo, morrerá servo. Assim, faziam parte da estrutura feudal quatro grupos: reis, clero, nobres, servos.

Esse último grupo (servos) eram os que trabalhavam nas terras (agricultura, pecuária, nos castelos, etc.) senhoriais em troca de habitação, comida e proteção.

Eles cultivavam os produtos, cuidavam dos animais, serviam os senhores em seus castelos, seja lavar ou fazer a comida.

Os impostos feudais

Além de fazerem a maioria do trabalho que girava a economia feudal, os servos pagavam diversos tributos (ou impostos), sendo que os mais importantes eram:

 

Corveia: o cultivo das terras senhoriais que devia ser realizada pelos servos pelo menos 2 vezes por semana.

 Talha: imposto em que os servos estavam obrigados a entregar cerca de metade de sua produção ao senhor feudal.

 Capitação: imposto pago pelos servos aos senhores feudais, relativos ao número de pessoas.

 Banalidade: imposto pago pela utilização dos equipamentos e instalações. O servo pagava uma taxa ao senhor feudal para usar o moinho, o forno, etc.

 Notas

|1| JUNIOR, Hilário Franco. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2006, p. 24.

|2| DARNTON, Robert. O grande massacre de gatos e outros episódios da história cultural francesa. Rio de Janeiro: Graal, 1988, p. 41-42.

|3| LE GOFF, Jacques. As raízes medievais da Europa. Petrópolis: Vozes, 2011, p. 47-48.

 

  

Veja mais sobre "Feudalismo" em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/feudalismo.htm

Nenhum comentário:

Postar um comentário