O feudalismo foi um sistema
político, econômico e social que existiu na Europa Ocidental durante o período
medieval. Seu auge aconteceu entre os séculos XI e XIII.
Esse sistema foi marcado por
uma sociedade estamental que se organizava com base em três classes sociais: o
clero, a nobreza e os servos. A economia girava em torno do feudo e da
exploração da terra, mas um crescimento comercial significativo aconteceu a
partir do século XI, permitindo o surgimento da burguesia e o crescimento
urbano."
Após a desagregação do Império
Romano, a Europa Ocidental ruralizou-se, e esse é um dado comprovado pelos
historiadores. Isso foi uma consequência direta da
devastação causada pela crise romana e pelas invasões
germânicas. Os povos invasores tinham como grande alvo as cidades romanas, pela
quantidade de bens que poderiam ser saqueados.
Além disso, com a crise
econômica romana e a devastação causada pelos germânicos, a produção agrícola
do império caiu drasticamente e o comércio enfraqueceu-se. Com a produção e o
comércio em queda, as grandes cidades ficaram desabastecidas. Num cenário de
morte e fome, as cidades logo se tornaram locais de proliferação de doenças.
Esse cenário forçou milhares
de pessoas a buscarem refúgio no campo,
longe das cidades. Elas passaram a abrigar-se em pequenas vilas ou ao redor de
grandes propriedades de terra para obter alguma proteção em comida. Os donos
das grandes propriedades converteram-se em chefes militares, para garantir a
segurança de seus bens, e passaram a explorar aqueles que procuravam trabalho
em suas terras. Desenvolveu-se nesse processo a servidão medieval.
Esse processo de consolidação
do trabalho servil aliado à ruralização e ao progressivo isolamento dessas
propriedades fez com que o feudalismo fosse
estruturado. No entanto, a formatação clássica do feudalismo só entrou em vigor
a partir do século XI, portanto, na Baixa Idade Média.
Só para termos uma ideia dessa
baixa produtividade, vale considerar uma estatística trazida pelo historiador
Robert Darnton. Ele aponta que, na França, durante a Idade Moderna (séculos XV
ao XVIII), cada semente fornecia cinco grãos de trigo, um retorno muito baixo.
Podemos considerar que na Alta Idade Média (séculos antes da Idade Moderna) a
produtividade era igual ou até mesmo menor que isso. Para fins de comparação,
Darnton aponta que, no século XX, cada semente fornecia até trinta grãos, uma
diferença abissal|2|.
Nesse período começou a
estabelecer-se uma sociedade estamental, isto é, dividida em
classes e com pouca mobilidade social.
Os grupos eram a nobreza, a
elite detentora do poder político, militar e econômico; o clero, formado por
representantes da Igreja Católica, também detentor de poder político e
econômico; e os camponeses,
grupo mais explorado que tirava seu sustento por meio de seu trabalho e era
obrigado a pagar pesados impostos aos outros dois grupos.
O artesanato começou a ganhar
força, a partir do século VIII, à medida que a população europeia crescia. No
caso do comércio, é importante esclarecer que o comércio mediterrâneo, por
influência dos bizantinos,
continuou existindo. No entanto, na Europa Ocidental, essa atividade enfraqueceu-se por conta da organização econômica baseada em
um relativo isolamento.
Não era frequente que existissem
excedentes que fossem comercializados, mas quando eles existiam eram
comercializados com feudos vizinhos ou eram levados para pequenas feiras que se
desenvolviam.
A pouca presença dessa
atividade na Europa Central, durante a Alta Idade Média, contribuiu para
que circulação da moeda começasse a diminuir.
Isso porque o comércio que ainda existia nesse período baseava-se na troca de mercadorias.
Política
Politicamente, a influência da
cultura germânica foi muito presente, a começar pela forma como essa população
organizava-se. Tratava-se de reinos, liderados por um rei que, geralmente, era
o chefe militar.
Essa estrutura de poder era
típica dos povos germânicos, e o historiador Jacques Le Goff afirma que ela era
detestada pelos romanos. Le Goff também sugere que as leis que surgiram na
Europa após o fim do Império Romano eram baseadas em códigos da tradição germânica|4|.
Na Alta Idade Média,
estabeleceu-se uma aliança entre o poder secular
e o poder eclesiástico. A Igreja Católica consolidou-se como
instituição religiosa, e, aos poucos, seu poder econômico permitiu-lhe
interferir no poder secular. Assim, muitos dos reinos germânicos que surgiram —
o caso mais simbólico é o dos francos — procuraram respaldo e
legitimidade para seu poder na Igreja Católica.
Por fim, vale destacar que, na
Alta Idade Média, estabeleceu-se uma relação de poder que foi uma das grandes
marcas da Idade Média: a vassalagem.
Isso aconteceu porque, na Alta Idade Média, o rei era uma figura frágil e que
só garantia sua posição de poder com o apoio de outros nobres/chefes militares.
Para isso surgiu essa relação de fidelidade entre
rei e nobre, na qual o rei (suserano) demandava a
fidelidade de seu nobre (vassalo). Em troca, o suserano fornecia uma terra e os
direitos e privilégios de exploração a seu vassalo, que, por sua vez, devia
auxiliá-lo na governança e fornecer suas tropas quando necessário.
Características da economia feudal
A economia feudal esteve
dedicada ao consumo local e não às trocas comerciais.
Ela era baseada numa economia
agrária e autossuficiente, ou seja, produziam tudo o que necessitavam.
Nesse caso, as trocas de
mercadorias (ou escambo)
eram realizadas mediante produtos cultivados nos feudos.
A agricultura era a principal
atividade desenvolvida no feudalismo, ainda que o
artesanato fosse marcante. O artesanato servia para a produção de ferramentas e
matérias de uso doméstico.
O sistema social desse período
esteve marcado por uma sociedade
estamental (dividida em estamentos) que possuía pouquíssima mobilidade
social.
Se um indivíduo nasceu servo,
morrerá servo. Assim, faziam parte da estrutura feudal quatro grupos: reis,
clero, nobres, servos.
Esse último grupo (servos)
eram os que trabalhavam nas terras (agricultura, pecuária, nos castelos, etc.)
senhoriais em troca de habitação, comida e proteção.
Eles cultivavam os produtos,
cuidavam dos animais, serviam os senhores em seus castelos, seja lavar ou fazer
a comida.
Os impostos feudais
Além de fazerem a maioria do
trabalho que girava a economia feudal, os servos pagavam diversos tributos (ou
impostos), sendo que os mais importantes eram:
Corveia: o cultivo das terras
senhoriais que devia ser realizada pelos servos pelo menos 2 vezes por semana.
|1| JUNIOR,
Hilário Franco. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São
Paulo: Brasiliense, 2006, p. 24.
|2| DARNTON,
Robert. O
grande massacre de gatos e outros episódios da história cultural francesa.
Rio de Janeiro: Graal, 1988, p. 41-42.
|3| LE
GOFF, Jacques. As raízes medievais da Europa. Petrópolis:
Vozes, 2011, p. 47-48.
Veja mais sobre "Feudalismo" em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/feudalismo.htm
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